A menina caminha levemente pelo corredor a meia luz; o desequilíbrio entre a luz e o escuro forma uma penumbra que mal permite ler as palavras no interior da caverna. Palavras é o que ela imagina serem, pois entre os milhões de rabiscos nas paredes e teto, só alguns estão na sua língua, outros nem parecem letras. Ela segue seu passo pluma, temeroso, porém contínuo, seu medo e desejo de ver o fim caminham juntos e os três avançam pelo chão molhado. Poucos metros, uns 10 passos e não sei quantos palmos ela percebe o corredor dilatar, o nariz e os pelos sentem o frio. Num espaço maior e sem forma, porque o escuro delineia o nada, ela vê a parca luz que reflete uma grande pedra escura. No outro escuro sentimos os últimos passos, um, dois, três. Os braços da menina levantam pesadamente cortando a ausência de luz. De olhos fechados, duas vezes cega, ela toca a grande pedra negra e sente todo calor do mundo. Calor de todos os fornos, de toda chama, de toda lava derretida, mas suas mãos não queimam. O ser humano é mais quente que todo o mundo.
João Gilberto Saraiva
7 pitacos:
Ainda me sinto um vulcão.
^^
Belíssimo texto, amigo!
Parabéns!
Nós seres humanos, de tdos povos e línguas (ao seu jeito), somos fontes de grande afeto, qdo queremos logicamente. Até o autor se inclue nesse balaio "Eu, a pedra e a menina". Infelizmente, temos q estar numa fundura p/ perceber isso ou não... alguns são mais aguçados. Seus textos são interessantes curtos e profundos. Lembrando q o texto ganha diversos significados após findado e divulgado pelo autor.
Até dia 14 em meu blog.
abraço
Botei um link da sua página no meu blog. Espero que não se sinta ofendido.
Abraços.
Sim senhor, fico o fendido não. Vou por um link do seu blog nesse aqui também.
Até mais escritor.
Avance Seu Saraiva, temos conto novo no gancho. O nome da peça é *No "suburbiu" de mim*. Te aguardo.
abraço
Pedra, menina...me lembra O Teatro Mágico.
Como pode sermos 70% de nossa composição ser água e ainda aredemos como fogo?
Postar um comentário