19 Dezembro 2008

Pão


            Sobe a gema gigante no horizonte retangular da janela, é o começo do dia para quem comerá os pães que estão nas formas ao lado. Para José Pedro o dia não é demarcado pelo Sol, ele acordou as 3 da madrugada. Os olhos acostumados percorrem os instrumentos e a paisagem que já conhece intimamente: forno, cigarreira da esquina, mesa, farinha, primeiro andar em frente. O homem de branco e toca sentado no canto da sala de azulejos aparenta ter 30 anos, mas tem na verdade 35. Pensativo espera a hora de se arrumar sem prestar atenção no rádio, não faz mal perder a propaganda. Os músicos pesam que o mundo é música, os escritores livros, os publicitários uma propaganda, mas este homem é padeiro e não pensa que o mundo é um pão. Ali sentado ele reflete o resultado da loteria, do futebol, do relacionamento e sabe-se lá mais o quê. Sou eu quem lhe deu vida que lhe ponho palavras na boca, ou melhor, na cabeça. Palavras para nós que comemos o pão, com ou sem manteiga, amassado ou não. Preste atenção, o mundo é moinho que todo dia nos mói e tritura. Para depois, sem ver nisso contradição, dar-nos o pão nosso de cada manhã.

João Gilberto Saraiva.

5 pitacos:

GABRIEL, gustavo disse...

Cartola ficaria orgulhoso.

Nathi disse...

Minha professora de redação um dia disse que devemos escrever sobre o que conhecemos, o que nos é familiar!
Tem algo mais familiar pra paulista que pão?
o.O

Deixe-me apresentar:
"Olá, eu sou a Nathi!"

Nathi disse...

Doutora?
Creio que ainda não!

Obrigada pela visita e fico feliz em saber que não sou a única chorona do mundo...apesar de que isso não parece um bom consolo...bom, apareça mais vezes!

^^

*LIS disse...

Lendo esse texto, principalmente o comeco dele e ven a figura que colocou no lado, me fez sentir o cheiro e o gosto do pai frances que acabou de sair do forno, crocante, quentinho sem queimar a boca. O miolo, que poucos gostam, mas os que o fazem, o amam! haha

Muito legal mesmo! Gostei, confesso que o titulo me chamou a atencao, e lendo o texto, vi que sua escrita se trata muito mais de uma descricao poetica das coisas. Mas sim uma reflexao.

Parabens!

marcus dutra disse...

Massa, massa...