<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950</id><updated>2012-01-30T08:01:39.458-03:00</updated><category term='notívagos'/><category term='vida'/><category term='amantes'/><category term='texto'/><category term='janela'/><category term='pão'/><category term='ladrões'/><category term='vício'/><category term='pedra'/><category term='mar'/><category term='inaguração'/><category term='café'/><category term='água'/><category term='deus'/><category term='menina'/><category term='morte'/><category term='baralho'/><category term='eu'/><category term='espera'/><category term='moinho'/><title type='text'>Palavras Insolúveis</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>18</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950.post-1807119808000275444</id><published>2011-12-30T22:14:00.000-03:00</published><updated>2012-01-04T21:07:33.208-03:00</updated><title type='text'>Sobre meninos, picolés e pássaros</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 2cm;"&gt;As luzes dos carros vestem deamarelo a penumbra das ruas para no outro instante sumir, clarear e novamentesumir, lá se vão os homens retornando do trabalho. Os veículos passam, fica afumaça para os pedestres que se aventuram na calçada da grande avenida e nasarjeta se amontoam e misturam as profecias sobre o apocalipse dos homens e dosprodutos de mostruário em suaves prestações a perder de vista. Alguns doscaminhantes ingressam no bar, são clientes de sexta-feira que se acomodam juntoaos de todos os dias, e apenas um homem continua andando na calçada. Ele passapela banca onde as oscilações da bolsa dividem espaço com o casamento dosfamosos e o desastre, o homem para e olha. Os olhos atravessam as notícias eas palavras cruzadas e se colocam nos fundos do ambiente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://farm7.staticflickr.com/6060/6222087544_dc152a9ba4.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://farm7.staticflickr.com/6060/6222087544_dc152a9ba4.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Foto: Passarinhar, Gustavo Gabriel (&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/gabrielgustavo/"&gt;Flickr&lt;/a&gt;)&amp;nbsp;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 2cm;"&gt;&amp;nbsp;Eles agora são o próprio revoar rebelde dospássaros na alvorada e até barulham como tal, mas não possuem asas. Essa é umalição de sabor amargo que alguns destes meninos que saem correndo da escolaapós o sinal talvez aprendam um dia a embrulhar em veludo, mas essas são coisaspara pensar amanhã, eles apenas correm para algum lugar, qualquer lugar forados muros brancos da escola. Após a euforia dos primeiros metros os pássarosdesaceleram e vão pousando em lugares diversos: nos carros, no velho cajueiro, napraça, na gangorra e alguns planam para o outro lado da rua.&amp;nbsp;&lt;span style="text-indent: 2cm;"&gt;No ponto de ônibuseles se juntam ao velho que vende picolé e as demais barrigas que esperam osveículos que os levará ao almoço . Não por coincidência, um homem surge naesquina empurrando um carrinho que também pode trazer acalanto gelado paraantes do almoço. A farda e o guarda-sol denunciam que não são os mesmos picolésdo velho e alguns passos depois já é possível vislumbrar o que há na placa entreo guarda-sol e recipiente gelado dos produtos, lá está o grande bloco marromque sugere ser maciço de chocolate como imaginamos as barras serem de ouro. Afrase abaixo acrescenta sobre recheio de sorvete de baunilha e creme e o valorescrito ao lado não importa ao menino. Um número qualquer acompanhado de zerosou não na sua direita ou esquerda é sempre intangível para quem sempre temzeros nos bolsos, uma carteira de estudante na mão e o bilhete para casa naoutra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 2cm;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 2cm;"&gt;Ele reconhece que lá na frente vemo ônibus que o levará para casa e tem de agir rápido. Pede um picolé dechocolate e entrega o bilhete da passagem estudantil, transformado em moeda deescambo, ao velho. Com o picolé na boca, as duas mãos se apoiam na catraca paraum escorregar de gato, sem bater a cabeça nem tocar a farda no chão porque paraos dois casos não há para amanhã outro substituto. Pela avenida se vai o meninoque imagina ser o seu picolé aguado de achocolatado caseiro ser o fabulosopicolé de chocolate do carrinho de sorvete.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 2cm;"&gt;&lt;span style="text-indent: 2cm;"&gt;- Pois não? A mão aponta para aparede dos fundos da banca onde mil coisas disputam centímetros de espaço eatenção. Uma frase se coloca na boca, mas antes que saia a primeira sílaba éemudecida. - Pois não? O homem detrás de balcão repete a pergunta. O indicadorbaila entre revistas, propagandas, cigarros, jornais velhos, imãs de geladeira etcprocurando alguma coisa. Está ali, é o que o dedo apontado para o freezer querdizer. - Um picolé, a boca complementa. O ar gelado sobe quando o vendedor abrea tampa do aparelho e no segundo que o vendedor se prepara para listar asopções o homem já escolhe: - De chocolate. O vendedor informa quanto custa opicolé e o homem retira moedas do bolso. Ele é aguado e doce, de achocolatadocaseiro, não é muito bom, mas é o único onde ele sentirá&lt;/span&gt;&lt;span style="text-indent: 2cm;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="text-indent: 2cm;"&gt;o sabor da liberdade dos pássaros, dascorridas até o ponto e do ônibus até em casa.&lt;/span&gt;&lt;span style="text-indent: 2cm;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-indent: 2.0cm;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;(Revisão: Arthur Duarte)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3353266725820194950-1807119808000275444?l=palavrasinsoluveis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/1807119808000275444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3353266725820194950&amp;postID=1807119808000275444' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/1807119808000275444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/1807119808000275444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/2011/12/sobre-meninos-picoles-e-passaros.html' title='Sobre meninos, picolés e pássaros'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950.post-2927477412045869773</id><published>2011-04-29T22:48:00.010-03:00</published><updated>2011-07-16T15:44:39.168-03:00</updated><title type='text'>O Fim</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;span style="color: black; font-family: inherit; font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; font-size: small;"&gt;A chuva lavava as calçadas do centro espalhando o lixo pelas ruas, mas ele nem ligava, &lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; font-size: small;"&gt;respirava protegido. Estava bem além dos limites da cidade, daquelas construções que quando passamos mal vemos a fachada, mas que trazem ao viajante que regressa o sentimento de estar chegando em casa. Mesmo do mais alto prédio, que arranhando o céu divide nuvens e de onde partiu a ordem para cumprir-se seu destino, não é possível vê-lo. Ele estava quase esquecido até o homem alinhado se deparar com um velho livro no alto de sua estante. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; color: black; font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-8NvR7Ky239s/TbtqSIKgftI/AAAAAAAAAXE/1vcFZweJL5w/s1600/caminho.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sobre a escrivaninha escura, por entre papéis e carimbos fatigados, o telefone toca enquanto alguém vem desviando de pilhas de papel. No ultimo fôlego do aparelho ele atende com um “Boa tarde” automático. Com o telefone entre o ombro e o ouvido, rabisca alguma coisa no rascunho. - Uhum... provavelmente casados, sim senhor, ligo assim que checar. Ok, ok, tá certo, um momento... O gancho do telefone fica sobre a mesa sem desligar e o funcionário se vai por entre os montes de folha. Sem o auxílio de qualquer fio de lã ou asa, ele sai em dois minutos do labirinto do papel com duas pastas. Já o escutamos falar no telefone. - Como o senhor disse, sem nenhum outro registro...&amp;nbsp; - Por desencargo de consciência trouxe as duas pastas: A e E, A de avião e E de escova.&amp;nbsp; - Mas de qualquer forma, sem sobrenome é praticamente impossível.&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; A brasa se anima quando se aproxima da boca e a fumaça sai enquanto a mão novamente se afasta. Ela mexe nos talheres ensacados e olha sem convicção para cadeira vazia a sua frente. - Desculpa a demora. Um jovem de traje social a retira do seu pequeno transe e senta na cadeira vazia. - Já resolvemos toda a papelada no cartório, falta só sua assinatura no documento. – Achou muitos? Ele coloca um envelope amarelo em cima da mesa e faz um sinal para o garçom. Ela responde: – Tantos que nem o arca do Noé levaria todos. Ele olha pra o envelope: - Arca de Noé? Trouxe uma pra você, cheia só com duas espécies: onças e peixes, aposto que você vai gostar dela. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não havia uma árvore, a grama cobria todo terreno com precisão matemática e os recortes&amp;nbsp; retangulares que delineavam os infinitos lotes acentuavam a monotonia. Ali era o seu fim, a sua frente uma estrada recém-pavimentada e uma placa de propaganda. Um casal de crianças se diverte em um balanço pendurado numa árvore frondosa enquanto seus pais sorriem e compartilham uma maçã, logo abaixo os publicitários deixaram o epitáfio em letras garrafais: Venha morar no paraíso. Os homens soprados ainda no barro retomaram a sua primeira casa mostrando que suas carnes e ossos podem ser tão cortantes quanto o aço.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="color: black; font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;João Gilberto Saraiva&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; font-size: small;"&gt;&lt;span style="color: black; font-size: small;"&gt;(Revisão: Arthur Duarte)&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3353266725820194950-2927477412045869773?l=palavrasinsoluveis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/2927477412045869773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3353266725820194950&amp;postID=2927477412045869773' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/2927477412045869773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/2927477412045869773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/2011/04/o-fim.html' title='O Fim'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950.post-2557760748989754921</id><published>2010-10-31T14:06:00.010-03:00</published><updated>2011-07-16T15:44:57.027-03:00</updated><title type='text'>O telescópio</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Perdeu-se, numa folha rasgada e ainda em branco, a hora e o dia no qual ele fez a sua descoberta. Não digo o nome, mas não se chamava nem Pedro nem Cristovão, ele não alargou os mapas. Não sendo Isaac, nem Albert, também não acrescentou novos fios de lei ou desordem a ciência de seu tempo. A literatura tem desses males, por vezes os nomes encerram destinos, o que não impede de sabermos em breve o desse personagem de nome ignorado. Lá está o homem circunspecto, sentado ao pé da janela sozinho, um olho fechado e outro no seu telescópio. Não sei se o pertence, mas ele opera botões e regulagens com uma intimidade de uma avó que costura desde os tempos remotos na mesma máquina. Por vezes, os olhos se voltam para o papel quadriculado, a esferográfica tece o movimento das estrelas. É fácil, elas não correm, deve pensar alguém, e eu continuo: mas também não usam crachás com o nome, nem respondem se você perguntar: Onde estavas ontem à noite? Por isso, de forma meticulosa segue o labor.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;No dia sem número algo soou na madrugada. O susto modificou o caminho de uma estrela, como se fosse ela a surpreendida pelo som na campainha. - Quem será a essa hora? Desce as escadas para descobrir e por essas excentricidades da literatura, outros diriam da vida, não há olho mágico na porta do homem do telescópio. Ele tem de abrir a porta e por a cabeça para não ver ninguém, nem lua, nem gente além dos postes cansados da luta contra a noite. - Deve ter sido no vizinho. Enquanto sobe as escadas, pensa no seu erro, &lt;i&gt;errare humanum est,&lt;/i&gt; e no seu remendo. Quando chega ao aposento do telescópio, outra surpresa, o equipamento não está apontado para o céu, e sim na direção do chão da calçada em frente à janela. Ele se aproxima com certa cautela, a experiência avisou: isso não parece obra do acaso, as engrenagens do telescópio são duras. Já sentado na cadeira, as mãos verificam se algo ocorreu na máquina, nada de errado, apenas ela aponta para onde não devia. Os olhos ajudavam as mãos, e por descuido, miraram na mesma direção para onde as lentes de caçar estrelas apontam. Foi o momento dos ponteiros esquecidos onde ele fez sua descoberta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Não sei exatamente o que estava abaixo daquela janela, mas sei que a estrela não teve seu caminho remedado e nem sequer o telescópio se voltou para os pontos no céu. O homem juntou os cadernos e livros da mesa e guardou-os na mesma estante onde procurou um velho caderno escondido entre outros tantos livros. Versos antigos foram ressuscitados em tom de consagração eucarística, releu todo o caderno antes do fim da madrugada. Até o Sol ascender aos céus como um Jesus num milagre cotidiano, as luzes do seu quarto não apagaram. Nessa manhã, uma caixa grande foi deixada na porta dos fundos da biblioteca, repleta de livros de astronomia, Copérnico, Kepler, Galileu e outros. A bibliotecária viu o doador secreto partindo, trajava uma roupa de tons alegres e quando ele olhou para trás sorriu para ela. Lá vai o homem da gravata florida.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/TM2hecPaZlI/AAAAAAAAAWg/OJuxPZREN1M/s1600/vendedoradeflores-rivera.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/TM2hecPaZlI/AAAAAAAAAWg/OJuxPZREN1M/s320/vendedoradeflores-rivera.jpg" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;(Diego Rivera, Vendedora de Flores, 1942)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;João Gilberto Saraiva&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;(Revisão: Arthur Duarte) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3353266725820194950-2557760748989754921?l=palavrasinsoluveis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/2557760748989754921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3353266725820194950&amp;postID=2557760748989754921' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/2557760748989754921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/2557760748989754921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/2010/10/o-telescopio.html' title='O telescópio'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/TM2hecPaZlI/AAAAAAAAAWg/OJuxPZREN1M/s72-c/vendedoradeflores-rivera.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950.post-8297749252477553481</id><published>2010-07-10T14:54:00.003-03:00</published><updated>2011-07-16T15:45:08.580-03:00</updated><title type='text'>No rio escuro</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A cadeira de balanço se move suavemente no mormaço, acompanhando pernas habituadas à tarefa. Regendo o silêncio da sesta, o ponteiro menor se aproxima cautelosamente do número 2. Apenas os peixes fazem companhia ao rio escuro, até os pequenos barcos descansam na margem. – Ninguém antes das 3, pensa o velho. Duas pernas pousam no tamborete e os olhos castanhos se escondem atrás das pálpebras cerradas. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/TDizM60-M9I/AAAAAAAAATo/OZFnYFxzSbA/s1600/No+rio+escuro.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/TDizM60-M9I/AAAAAAAAATo/OZFnYFxzSbA/s320/No+rio+escuro.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Lá estava ela e uma vizinha, tomando café com tapioca na mesa velha. A senhora de olhos miúdos conversa animadamente. Ele reconhece a casa, lá está o velho fogão de carvão, a santa ainda não tão desbotada. Sentada naquele mesmo tamborete onde ele repousa suas pernas, falava de um menino curioso, que com três anos nunca tinha visto uma meia. Contava que quando o irmão mais velho voltou a primeira vez deixou os sapatos do lado do pote d’água. Ria dizendo que encontrou o piá com a meia branca na boca, achando que era tapioca.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Uma batida leve acorda-o. Os olhos castanhos aparecem: – Boa tarde. &amp;nbsp;– Boa.&amp;nbsp; Um viajante encostado no balcão lhe pede um maço de cigarros.&amp;nbsp; O senhor lhe entrega coçando a barba branca. O homem põe o maço no bolso da camisa e entrega uma nota. Não tem sotaque daqui, deve ser mais um viajante de passagem. – Mais alguma coisa? – Não, já é hora de ir. – Mas já vai? Pergunta o velho separando umas moedas para o troco. O viajante aponta o relógio na parede, ponteiros imóveis, o menor nem sequer chegou ao dois. &amp;nbsp;O velho respira fundo:&amp;nbsp; – Vou só aqui rápido, ta certo? O homem de camisa branca na entrada da venda: – Ok.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Uns instantes depois o senhor reaparece com uma sacola. Descem até o rio e entram num barquinho que o velho não vira chegar. – O que tem na sacola? O velho lhe mostra o conteúdo. –Uma camisa? – Sim, lá pode ser frio. O mais novo esboça um sorriso. Antes que surja outra pergunta vem uma resposta: – As meias e sapatos são presentes para minha mãe. O velho pega o maço e um isqueiro que o outro lhe ofereceu. O barco segue sem fazer barulho, deslizando sem deixar rastros nas águas escuras do rio.&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;João Gilberto Saraiva.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;(Revisão: Arthur/Nathi)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3353266725820194950-8297749252477553481?l=palavrasinsoluveis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/8297749252477553481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3353266725820194950&amp;postID=8297749252477553481' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/8297749252477553481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/8297749252477553481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/2010/07/no-rio-escuro.html' title='No rio escuro'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/TDizM60-M9I/AAAAAAAAATo/OZFnYFxzSbA/s72-c/No+rio+escuro.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950.post-816019437375492307</id><published>2010-05-04T18:20:00.002-03:00</published><updated>2011-07-16T15:45:46.655-03:00</updated><title type='text'>Sobre vitrines, pães e geladeiras</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na vitrine está um objeto encantador que custa caro. Ela não pode pagar tudo isso, mas só descobriu depois de quase encostar no vidro, a etiqueta era mínima. Naquele instante, onde cérebro ainda degusta o encanto do objeto, o preço não importa, só no segundo seguinte é que ele fará toda a diferença. - É muito dinheiro; um sussurro da boca rosada. Ainda pensando no dinheiro, ela nota algo faltando: a bolsa. Mais a frente, entre andando e correndo, se vai um homem que tenta esconder o volume amarelo em baixo da camisa maltrapilha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando acaba o expediente, ele abarrota a farda numa mochila e segue decidido para o ponto de ônibus. Naquele dia, uma quarta azulada de novembro, seria diferente porque ele acaba de fazer um empréstimo. “Suaves” prestações a descontar direto do salário,  foi preço para livrá-lo da velha geladeira que sofre tanto quanto alguém com um problema sério de pedras nos rins para fazer uns cubinhos de gelo. Ele imagina a cara de surpresa que sua mulher fará quando aquele super refrigerador descer da caçamba do carro de frete. – Foi caro né? Ela vai perguntar. E este homem vai responder: - Eu parcelei em 12 vezes amor...  Será que ela vai sorrir ou reclamar? Não deu tempo de pensar a resposta. – Minha bolsa! Uma mulher grita na próxima calçada. – Quem? Ele pergunta e dobra a esquina correndo porque mesmo sem farda não deixa de ser um policial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nas vitrines um mundo dos sonhos está exposto, mas este homem não se enquadra no grupo daqueles os quais é permitido sonhar esse tipo de coisa. A fome é uma pergunta do estômago para a boca: - O que passou por ai hoje?  E ela responde fechada, só audível para o lado de dentro: - Nada. Lá está ele caminhando nas ruas do centro, um farrapo no corpo, uma sacola grande e sandálias de espessura ínfima, dois números maiores que os pés que as calçam. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já passam das quatro e ele sabe pelo Sol, experiência de quem anda todos os dias sem qualquer relógio. É melhor adiantar o passo para não perder o prato na fila do Sopão. - Ainda dá tempo de pegar o pão? Apenas os 50 primeiros da fila geralmente têm acesso a essa iguaria. – Um pãozinh... Um trombo derrubou o homem maltrapilho. Os olhos se abrem e procuram entender o que aconteceu, vêem alguém que já segue correndo meio longe e, quando o mendigo vira a cabeça, percebem um homem alto e forte a menos de um metro. Um chute nas pernas, uma imobilização, um rosto colado na calçada com um pé em cima. O que dá pra ver dessa incômoda posição? Uma bolsa amarela. - Pensou que ia fugir vagabundo? – O sinhô... eu... mas... A resposta não se articula na boca espremida pela bota. Uma voz de mulher vem lá de trás. - Não é esse não, moço! &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/S-CPWWIw5uI/AAAAAAAAASU/cBybtLVcwSw/s1600/pao-quente.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/S-CPWWIw5uI/AAAAAAAAASU/cBybtLVcwSw/s320/pao-quente.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Naquele instante ela não pensava no objeto na vitrine, nem o policial na geladeira, nem o mendigo no pão. Esses três fios se cruzaram no tear da vida essa vez e nunca mais. No saldo desse encontro ela não perdeu nada, a bolsa não havia sequer sido aberta e o policial ainda deveria as 12 “suaves” parcelas. O mendigo, depois de ser liberado pelo policial (- Xispa vagabundo!), correu mancando devido ao chute nas pernas. Ficou longe dos 50 primeiros mas aquele era um 17 de novembro, dia de Santa Isabel, padroeira dos padeiros. Havia não só pão para todos, como houveram até alguns que comeram dois. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;João Gilberto Saraiva.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3353266725820194950-816019437375492307?l=palavrasinsoluveis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/816019437375492307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3353266725820194950&amp;postID=816019437375492307' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/816019437375492307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/816019437375492307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/2010/05/sobre-vitrines-paes-e-geladeiras.html' title='Sobre vitrines, pães e geladeiras'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/S-CPWWIw5uI/AAAAAAAAASU/cBybtLVcwSw/s72-c/pao-quente.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950.post-2344673932105839296</id><published>2010-03-19T15:01:00.008-03:00</published><updated>2011-07-16T15:46:16.226-03:00</updated><title type='text'>O ator</title><content type='html'>&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CADMINL%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face	{font-family:Calibri;	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:swiss;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-parent:"";	margin-top:0cm;	margin-right:0cm;	margin-bottom:10.0pt;	margin-left:0cm;	line-height:115%;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:11.0pt;	font-family:Calibri;	mso-fareast-font-family:Calibri;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-language:EN-US;}@page Section1	{size:595.3pt 841.9pt;	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;	mso-header-margin:35.4pt;	mso-footer-margin:35.4pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/S6O7JXLdYVI/AAAAAAAAAO0/CNuF5Kb_QxM/s1600-h/auto+retrato+picasso.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="clear: right; float: right; font-family: inherit; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/S6O7JXLdYVI/AAAAAAAAAO0/CNuF5Kb_QxM/s320/auto+retrato+picasso.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;O homem em frente a Tarcísio repete seus movimentos nos mínimos detalhes. Não posso dizer que é sua cópia perfeita porque no espelho há uma trinca que sobe até a altura dos ombros dele. O experiente ator retoca com mãos firmes sua maquiagem cor de pêssego para a próxima cena onde seu personagem, uma mulher carente de trinta anos, divertirá o público com seus delírios sobre os homens. Enquanto com uma mão acerta detalhes do blush, a outra procura o interruptor da lâmpada acoplada ao espelho. Tarcísio tem de esticar bastante o braço para alcançá-lo e sente uma dorzinha quando consegue. Ele pensa no seu braço: não é como se eu tivesse 20 anos, mas pelo menos ainda é um tanto rijo, ossos do ofício. Um sorriso que estava por nascer murcha antes de aflorar porque não há como pensar no passado sem se lembrar da mulher que também quase lhe sorri de dentro da moldura vermelha em cima da penteadeira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Todos têm amigos em comum e amigos incomuns, pelo menos todos que já fizeram faculdade um dia.&amp;nbsp; Até apresentar Luana a Tarcísio, Ângelo era apenas o incomum com suas calças boca de sino, mas agora é também o amigo em comum de Luana e desse rapaz de barba rala. Depois de devidamente apresentá-los, o homem de calças boca de sino parte para cumprimentar outros amigos mais a frente, deixando essas pessoas, que acabam de se conhecer, a sós. – Você faz Letras? – Não, faço Economia, disse ela. – Não sabia que se lia Neruda em Economia, ele diz apontando para o livro nas mãos dela. – E você, faz o quê? – Geografia. – Não sabia que se lia Hamlet em Geografia, ela diz. Ambos sorriem com seus livros tão diversos daquilo que cursam. – É para a peça que eu e Ângelo estamos ensaiando. – Sério? Qual dos dois é Hamlet? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; No dia esperado lá estava Ângelo no pequeno palco, começava a peça. Entra Tarcísio: – Quem está ai? Ângelo responde preocupado: - Não, responda-me tu, pare e diga o nome. Tarcísio continua: Viva o rei! Ângelo já despreocupado: - És tu Bernardo? Tarcísio responde positivamente e enquanto tenta achar alguém na primeira fila segue com sua fala: - Vai Francisco, já é meia-noite. Como vimos, nenhum dos dois é Hamlet, mas que importa? Todos nós somos mesmos coadjuvantes na vida de outrem.&amp;nbsp;&amp;nbsp; Finalmente Tarcísio reconhece o semblante dos cabelos e do vestido de Luana e continua a interpretar Bernardo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não há mais um homem refletido no espelho trincado do pequeno camarim. Sobre a penteadeira a mulher do retrato quase sorri para ninguém porque Tarcísio já está no palco interpretando a solteirona. Ninguém perceberá que dos olhos dele caiu uma lágrima fugidia, o ator é um dissimulado mestre das emoções. E mesmo com um dos refletores queimado posso dizer que há mais luz neste palco. Tarcísio interpreta como se sua Lua estive ali na primeira fila. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;João Gilberto Saraiva&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;(Auto-retrato com uma paleta, Pablo Picasso, 1906)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3353266725820194950-2344673932105839296?l=palavrasinsoluveis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/2344673932105839296/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3353266725820194950&amp;postID=2344673932105839296' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/2344673932105839296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/2344673932105839296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/2010/03/o-ator.html' title='O ator'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/S6O7JXLdYVI/AAAAAAAAAO0/CNuF5Kb_QxM/s72-c/auto+retrato+picasso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950.post-1448433449065830750</id><published>2010-02-09T21:55:00.017-03:00</published><updated>2011-07-16T15:46:41.032-03:00</updated><title type='text'>Sobre Maria das Dores</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="" style="clear: both; font-family: inherit; margin: 0px; text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe:&amp;nbsp;Eles já não têm vinho.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="" style="clear: both; font-family: inherit; margin: 0px; text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós?&amp;nbsp;Minha hora ainda não chegou.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="" style="clear: both; font-family: inherit; margin: 0px; text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;(João 2:3-4)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/S3ID_e5RM1I/AAAAAAAAAOs/7FcHNZX_h_U/s1600-h/_MG_9527+b.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://3.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/S3ID_e5RM1I/AAAAAAAAAOs/7FcHNZX_h_U/s320/_MG_9527+b.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Com apenas um dos olhos aberto o padre &amp;nbsp;vê uma mínima mancha amarela&amp;nbsp;no chão do seu quarto. Sem mover os lábios, apenas para si, o&amp;nbsp;sacerdote pronuncia: - E Deus disse: Faça-se a luz, e a luz foi feita.&amp;nbsp;Essa luz projetada através das frinchas da janela funciona como um&amp;nbsp;despertador para que como de costume ele faça o sinal da cruz e levante.&amp;nbsp;Uma pequena caminhada distancia a casa do padre da rua da igreja, onde&amp;nbsp;fica a pensão onde toma seu&amp;nbsp;café. Lá vai o homem de batina atravessando a rua com as primeiras&amp;nbsp;orações do dia. - Ave Maria cheia de graça. O&amp;nbsp;sacerdote cumprimenta Maria das Dores, a nova moça dos Correios, e&amp;nbsp;caminha em frente na direção da porta de tras da igreja. Enquanto a&amp;nbsp;circunda segue rezando – Bendita sois Vós entre as mulheres, bendito é&amp;nbsp;o fruto em Vosso ventre: Paulo? Paulo! Ele se depara com um homem&amp;nbsp;estendido nas escadarias de sua paróquia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Se Paulo estivesse com os olhos poderia ver o rosto de horror do padre, mas seus olhos estão semi-cerrados e apagados. Assim que chegara a cidade, há poucos anos isso, o novo padre soube dos infortúnios deste indivíduo estendido no chão. O que horroriza o sacerdote não é o fato de encontrá-lo ali ao amanhecer, isso já ocorrera algumas vezes, é encontra-lo nesta posição de quem caiu pra não levantar. Os pés estavam vários degraus acima do qual estava a cabeça, o corpo em diagonal. O padre chamou e balançou várias vezes o homem que exalava o cheiro doce e forte da cana, ele não respode. – Está morto, meu Senhor levastes esse homem para tua morada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;O padre lembra da moça dos Correios e vai até a lateral . Um grito parte para alcançar aquela que já vai na altura da prefeitura. – Calma seu padre. Um voz distante e grave, hálito enxarcado de alcool. – Ainda não foi dessa vez. A cachaça foi grande mas... minha dor ainda é maior. Quando ainda era coroinha, o sacerdote imaginava que a voz do tinhoso seria como a de Paulo, profunda e fedida. – Meu filho, ela se foi há tanto tempo. – Eu sei, mas o di..fícil é convencer a saudade que já faz tanto tempo assim. A moça vem ao encontro dos dois, e pergunta se ele está bem. O bêbado se ajeita nos degraus mas continua deitado: &amp;nbsp;– Qual seu nome menina? – Maria das Dores. – Maria das Dores? O padre interfere : - É a nova moça dos Correios. – Hmm... tá certo Maria. A voz já não vem mais de tão longe, fede mas é a natural de Paulo: – Faz o seguinte moça... &amp;nbsp;leva minha dor contigo e manda pra longe que eu não aguento mais. Os olhos do homem deitado se fecham. Maria das Dores se levanta, diz que vai chamar o médico e parte mas o padre sabe que depois de se livrar do seu fardo este homem não tem mais motivos para abrir os olhos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;João Gilberto Saraiva.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;(Foto: São Cristovão-SE, Gustavo Gabriel)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3353266725820194950-1448433449065830750?l=palavrasinsoluveis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/1448433449065830750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3353266725820194950&amp;postID=1448433449065830750' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/1448433449065830750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/1448433449065830750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/2010/02/sobre-maria-das-dores.html' title='Sobre Maria das Dores'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/S3ID_e5RM1I/AAAAAAAAAOs/7FcHNZX_h_U/s72-c/_MG_9527+b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950.post-6410962525269951056</id><published>2010-01-07T14:23:00.008-03:00</published><updated>2011-07-16T15:47:08.361-03:00</updated><title type='text'>Bandeira 2</title><content type='html'>&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CADMINL%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-parent:"";	margin:0cm;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}@page Section1	{size:612.0pt 792.0pt;	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;	mso-header-margin:36.0pt;	mso-footer-margin:36.0pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.yellowcabofsavannah.com/images/img_taxi.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="212" src="http://www.yellowcabofsavannah.com/images/img_taxi.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpFirst" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O terço azul pendurado no retrovisor central balança enquanto o volante retorna a posição original. O carro completa o retorno numa rua vazia enquanto o rádio toca um sucesso antigo que ninguém lembra o nome. O casal que ele a pouco deixou em casa vinha de uma reunião de amigos no outro lado da cidade. Só mais um cruzamento e o automóvel chegará à avenida principal onde receberá a companhia de mais alguns veículos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nessa região os prédios se estendem nos dois lados da avenida formando um jardim de concreto com plantas de todos os tamanhos; entre rosas comuns, uma ou outra tulipa e um girassol ao fundo. O táxi reduz a velocidade e segue de terceira, não há pressa quando se procura um cliente na madrugada. O portão de um prédio se abre mais a frente, uma mulher sai apressada e vai beira da calçada como se fosse cruzar a avenida. Enquanto olha os dois lados para poder atravessar percebe o táxi do qual ele acompanha seus movimentos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;“Táxi”, uma mão se estende ao ar. O veículo para e ela mesmo abre a porta pela qual entra no carro. Boa noite, senhora. A passageira na verdade é um meio entre moça e mulher e responde apenas: Para Zona Sul. O taxímetro entra em movimento, ele desliga o rádio e o silêncio adentra pelas janelas fechadas devido ao condicionador de ar. No retrovisor aparece uma boca rosada de batom e dois olhinhos dos quais uma mão fina esconde lágrimas. Nesse mesmo retrovisor ela percebe um rosto moreno e novo com olhos ainda não bem acostumados ao trabalho noturno. Com certo tempo ela já refeita quebra o gelo: Você... o senhor tava indo pegar alguém? Não ia não senhora. Antes que ele pergunta-se o porquê da pergunta: a luz da plaquinha não estava acesa, lhe chamei pra tentar a sorte mesmo. Então tive sorte mesmo, senhora, sou novo no serviço, quase sempre esqueço de ligar a placa. Ela remendou: Senhora não, olhe pra mim, pode me chamar de Sara. Só chamo se Sara me chamar de Lucas, olhe, eu não sou velho também. Lucas? Sim senhora, digo, Sara. Uma lágrima atrasada sai de um dos olhinhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-add-space: auto;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; No resto, a viagem foi como todas as outras. Dobre ali, entre ai, isso, minha casa é aquela. Foi quanto? Ta aqui. Boa noite, obrigado. E o carro seguiu pela noite para a parada de descanso do motorista. E ai cara, tudo bem? Manda um expresso do grande que eu fiz uma corrida longa hoje que paga esse luxo. Encostado no carro antes mesmo que ele pudesse beber o primeiro gole escuta o toque de um celular no banco de trás. O visor desconhecido mostra que o contato “casa” está ligando. A voz dela: Alô, Lucas? Esqueci meu celular... A conversa continua e talvez dois horizontes distintos possam conceber o nascer de um sol compartilhado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormalCxSpMiddle" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right;"&gt;João Gilberto Saraiva&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3353266725820194950-6410962525269951056?l=palavrasinsoluveis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/6410962525269951056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3353266725820194950&amp;postID=6410962525269951056' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/6410962525269951056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/6410962525269951056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/2010/01/bandeira-2.html' title='Bandeira 2'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950.post-1955141489113222704</id><published>2009-11-27T12:28:00.004-03:00</published><updated>2011-07-16T15:51:45.867-03:00</updated><title type='text'>O Sol</title><content type='html'>&lt;div class="" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Há tardes em que o Sol chega tão perto do chão que o horizonte fica trêmulo de calor. O verão é essa estação onde o Sol se aproxima da Terra para ver melhor a humanidade. Ele enxerga os homens mais ou menos como estes vêem as formigas: daqui pra lá, de lá pra ali sempre caminhando, inventando algo pra fazer. Ontem eles partiram em barquinhos para conquistar o outro lado do meu quintal, e hoje já passam voando para todos os lados. São mesmo a astúcia em pessoa essas figuras, diz a estrela.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/Sw_txbd2rpI/AAAAAAAAAN0/z5sqMQND_PU/s1600/The+Sun2.jpg"&gt;&lt;span style="color: windowtext; mso-fareast-language: PT-BR; mso-no-proof: yes; text-decoration: none; text-underline: none;"&gt;&lt;!--[if gte vml 1]&gt;&lt;v:shapetype id="_x0000_t75" coordsize="21600,21600" o:spt="75" o:preferrelative="t" path="m@4@5l@4@11@9@11@9@5xe" filled="f" stroked="f"&gt;  &lt;v:stroke joinstyle="miter"/&gt;  &lt;v:formulas&gt;   &lt;v:f eqn="if lineDrawn pixelLineWidth 0"/&gt;   &lt;v:f eqn="sum @0 1 0"/&gt;   &lt;v:f eqn="sum 0 0 @1"/&gt;   &lt;v:f eqn="prod @2 1 2"/&gt;   &lt;v:f eqn="prod @3 21600 pixelWidth"/&gt;   &lt;v:f eqn="prod @3 21600 pixelHeight"/&gt;   &lt;v:f eqn="sum @0 0 1"/&gt;   &lt;v:f eqn="prod @6 1 2"/&gt;   &lt;v:f eqn="prod @7 21600 pixelWidth"/&gt;   &lt;v:f eqn="sum @8 21600 0"/&gt;   &lt;v:f eqn="prod @7 21600 pixelHeight"/&gt;   &lt;v:f eqn="sum @10 21600 0"/&gt;  &lt;/v:formulas&gt;  &lt;v:path o:extrusionok="f" gradientshapeok="t" o:connecttype="rect"/&gt;  &lt;o:lock v:ext="edit" aspectratio="t"/&gt; &lt;/v:shapetype&gt;&lt;v:shape id="Imagem_x0020_1" o:spid="_x0000_i1025" type="#_x0000_t75" alt="http://1.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/Sw_txbd2rpI/AAAAAAAAAN0/z5sqMQND_PU/s320/The+Sun2.jpg" href="http://1.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/Sw_txbd2rpI/AAAAAAAAAN0/z5sqMQND_PU/s1600/The+Sun2.jpg" style='width:136.5pt;height:240pt;visibility:visible;mso-wrap-style:square' o:button="t"&gt;  &lt;v:imagedata src="file:///C:\DOCUME~1\JOOGIL~1\CONFIG~1\Temp\msohtmlclip1\01\clip_image001.jpg"  o:title="The+Sun2"/&gt; &lt;/v:shape&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;span style="mso-ignore: vglayout;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/S6T3RqNAvtI/AAAAAAAAAO8/Tmn8GVKkf-0/s1600-h/sol.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/S6T3RqNAvtI/AAAAAAAAAO8/Tmn8GVKkf-0/s320/sol.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O sol é antigo, não acha graça nos computadores e televisores, mas se diverte em ver o quanto os homens gastam seus segundos de vida pendurados neles. As invenções humanas dão eco à contradição dos seus desejos. Existem as de fazer caminhos e a de destruí-los, as de montar sonhos e outras de desmontá-los, as de dar vida e muitas outras de tirá-la. A humanidade em tudo mexe, a nada dá sossego, obstinada em fazer do mundo sua imagem e semelhança. Se eu prestar atenção, posso escutar o rumor do seu sonho de um dia me conquistarem, em mim ficarem sua minúscula bandeira, estandarte desse estranho bloco de carnaval. São mesmo formigas audaciosas, essas as quais observo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não é necessário carregar milhões de anos nas costas para entender que a vista vai se cansando com o tempo. A cada vez o Sol se aproxima mais das estranhas figuras nas quais põe os olhos e os homens verão, olhos nos olhos, o verão crescer. Enquanto uns despem suas roupas em homenagem a chegada dele outros praguejam e se escondem com suas máquinas de fazer frio. A humanidade é ingrata, comenta a estrela, não se une nem sequer para comemorar a chegada de quem lhe permite viver. E nisso segue calma para mais uma volta, só próximo ano vem ver de perto as curiosas formigas do seu jardim.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;João Gilberto Saraiva&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3353266725820194950-1955141489113222704?l=palavrasinsoluveis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/1955141489113222704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3353266725820194950&amp;postID=1955141489113222704' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/1955141489113222704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/1955141489113222704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/2009/11/xix-o-sol.html' title='O Sol'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/S6T3RqNAvtI/AAAAAAAAAO8/Tmn8GVKkf-0/s72-c/sol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950.post-6344892932276319891</id><published>2009-11-15T10:31:00.006-03:00</published><updated>2011-07-16T15:52:11.110-03:00</updated><title type='text'>Carta aos amigos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Na verdade a idéia deste blog surgiu quando escrevi o primeiro mini-conto e a primeira crônica. De quando larguei os versos, minha casa segura, para entrar no mundo da prosa virtual. Ao invés de uma gaveta no meu quarto, visto apenas por alguns amigos próximos, o que escrevo agora mora neste pequeno endereço. É uma casa pequena, é verdade, mas é o começo de uma independência. As palavras deixaram de ecoar no pequeno mundo em que vivo para se soltar nessa cidade de ventos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na rua em que agora moram, existem incontáveis vizinhos, dos dois lados, em cima, em baixo, nas laterais. Sem eles, essa vida na cidade seria tão sem graça que talvez não fosse possível. Sou um escritor de província, escrevo pensando em mostrar imediatamente aos meus amigos. Pessoas com as quais cruzei virtualmente ou não, mas que são de suma importância para continuar escrevendo. Um texto, para mim, tem pouco sentido se não for completado por um leitor que expanda seus significados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Muito obrigado a todos que lêem este blog. Um abraço especial para os que comentam e me indicaram este selo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;João Gilberto Saraiva.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;-x-&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;1.&amp;nbsp;Postar o selo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;2.&amp;nbsp;Linkar quem te ofereceu o selo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;3. Indicar dez blogs que não saem da sua cabeça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia,Times,serif; font-size: 13px; line-height: 20px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;4. Avisá-los que receberam o selo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;5. Listar dez coisas que não saem da sua cabeça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xtwTTukMM88/SvQc49L6YTI/AAAAAAAAAGc/zrVYctsCL8Q/S220/selinho+2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_xtwTTukMM88/SvQc49L6YTI/AAAAAAAAAGc/zrVYctsCL8Q/S220/selinho+2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;O selo foi indicado pelas seguintes amigos:&amp;nbsp;&lt;a href="http://meupretextodiario.blogspot.com/"&gt;Nathi&lt;/a&gt;&amp;nbsp;e&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: 16px;"&gt;&lt;a href="http://novo-sorriso-brilhante.blogspot.com/"&gt;Gustavo Gabriel&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Blogs que não saem da minha cabeça&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://novo-sorriso-brilhante.blogspot.com/"&gt;Brilhante&lt;/a&gt; (Gustavo Gabriel)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://meupretextodiario.blogspot.com/"&gt;Meu Pretexto Diário&lt;/a&gt; (Nathi)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://dezatino.blogspot.com/"&gt;Dez.atinos&lt;/a&gt; (Micaela)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://r-and-om.blogspot.com/"&gt;Deu na telha&lt;/a&gt; (Lis)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://isobelfigue.blogspot.com/"&gt;Isobel Figue&lt;/a&gt; (Stephanie)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://orecantodella.blogspot.com/"&gt;O Recanto d'Ella&lt;/a&gt; (Gabriella)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://kleciasoares.blogspot.com/"&gt;Entrelinhas&lt;/a&gt; (Klécia Soares)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: 'trebuchet ms',verdana,arial,sans-serif; font-size: small; line-height: 15px;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/goog_1258289272011"&gt;L&lt;/a&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;a href="http://boemiarevolucionaria.blogspot.com/"&gt;a bohème révolutionnaire&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;(Pedro José)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: 'trebuchet ms',verdana,arial,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 15px;"&gt;&lt;a href="http://likeifyoucouldreadmymind.blogspot.com/"&gt;Mind&lt;/a&gt; (Vitória)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: 'trebuchet ms',verdana,arial,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small; line-height: 15px;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,sans-serif; font-size: 13px; line-height: 16px;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;a href="http://assassinador.blogspot.com/"&gt;Assassinador de Poemas e Escritos&lt;/a&gt;&amp;nbsp;(Félix Maranganha)&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px; line-height: 16px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px; line-height: 16px;"&gt;&lt;b&gt;Coisas que não saem da minha cabeça&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px; line-height: 16px;"&gt;Escrever um livro, O&amp;nbsp;pêndulo&amp;nbsp;de Foucault (Umberto Eco)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px; line-height: 16px;"&gt;o&amp;nbsp;consórcio&amp;nbsp;da minha moto, juntar bufunfa pra uma viagem, &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px; line-height: 16px;"&gt;terminar o curso de inglês que acabei de começar,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px; line-height: 16px;"&gt;Voltar a correr, músicas que quero baixar mas não sei os nomes,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px; line-height: 16px;"&gt;Passar o vestibular de minha namorada, escrever um artigo para meu curso (História)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px; line-height: 16px;"&gt;Algo que pudesse completar essa lista com dez coisas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px; line-height: 16px;"&gt;PS: Tinha trocado os nomes de alguns autores dos blogs, mas já resolvi a confusão. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3353266725820194950-6344892932276319891?l=palavrasinsoluveis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/6344892932276319891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3353266725820194950&amp;postID=6344892932276319891' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/6344892932276319891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/6344892932276319891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/2009/11/carta-aos-amigos.html' title='Carta aos amigos'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xtwTTukMM88/SvQc49L6YTI/AAAAAAAAAGc/zrVYctsCL8Q/s72-c/selinho+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950.post-3677290564107041515</id><published>2009-10-29T21:53:00.008-03:00</published><updated>2011-07-16T16:03:13.194-03:00</updated><title type='text'>Olhos de mar - O início</title><content type='html'>&lt;span style="color: #444444; font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="ecxMsoNormal" style="margin-bottom: 1.35em; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444; font-family: Tahoma; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Antes não havia nada, sequer o escuro. Nem sequer uma palavra que nomeasse o que não existe&lt;/span&gt;&lt;i style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;. No princípio Deus criou os céus e a terra&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;, dizem as letras sagradas. Parte desta sentença foi apagada talvez por esquecimento ou por descuido. Originalmente&amp;nbsp;era&amp;nbsp;ela:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;No princípio Deus criou os céus e a terra com o piano&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/Suo3LsAd34I/AAAAAAAAAMg/KvUBblSs0Dg/s1600/piano+a.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;img border="0" height="162" src="http://4.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/Suo3LsAd34I/AAAAAAAAAMg/KvUBblSs0Dg/s400/piano+a.jpg" width="400" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A divindade estralou as mãos, se ajeitou no banquinho sem a cerimônia maiúscula que acompanha seu nome e começou a tocar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;A terra estava informe e vazia, as trevas cobriam o abismo e o espírito santo de Deus pairava sobre as águas&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;. Os dedos entram nas teclas com a delicadeza de quem sente entre os dedos uma uva gorda antes de levá-la a boca, apertando levemente sem esmagá-la. O som se cria, levanta do instrumento e se espalha pelas obras divinas recém-criadas tateando cada ínfima parte, descobrindo-as: fez-se a luz. As cordas do instrumento são tocadas levemente pelos martelos acompanhando os nuances do músico; as notas não alcançam tudo quanto foi criado.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;. Foram criados o dia e a noite e se passou o primeiro dia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-text-decorations-in-effect: none; color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele tocaria eternamente sem se preocupar com a finitude que acabara de ser criada. Ter criado o tempo era apenas uma idéia remota na mente divina que se concentrava na música. Mas havia um mundo por se fazer, ele sabe disso, você sabe: ele sabe tudo. Ele também tudo pode, mas quem tudo pode nem sempre quer, Deus queria tocar somente. As mãos se levantam um pouco, o som para de soar por um segundo, a respiração se escuta em todo lugar. As mãos iniciam uma nova música, cada mão originava uma melodia diferente. Os sons se completam e se conflitam como bocas que se mordem enquanto se beijam e vice-versa. Cada qual compunha um espetáculo a parte, e juntas fizeram um firmamento entre as águas, separando umas das outras.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-text-decorations-in-effect: none; color: black;"&gt;&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Outra parada, por um longo momento as mãos ficam inertes a alguns centímetros do teclado. Ele se levanta e põe os grandes olhos sobre a fenda. Com toda a leveza e força Deus coloca o piano em uma das partes e a outra se solidifica.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Deus chamou o elemento árido de terra e ao ajuntamento das águas mar. E Deus viu que isso era bom.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;Depois de guardado o instrumento era hora de se continuar o trabalho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;João Gilberto Saraiva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;(Foto: Gustavo Gabriel)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3353266725820194950-3677290564107041515?l=palavrasinsoluveis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/3677290564107041515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3353266725820194950&amp;postID=3677290564107041515' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/3677290564107041515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/3677290564107041515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/2009/10/olhos-de-mar-o-inicio.html' title='Olhos de mar - O início'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/Suo3LsAd34I/AAAAAAAAAMg/KvUBblSs0Dg/s72-c/piano+a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950.post-1057130566557932132</id><published>2009-09-29T17:11:00.002-03:00</published><updated>2011-07-16T16:03:41.755-03:00</updated><title type='text'>Alvorada</title><content type='html'>&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CBOLSIS%7E2%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-parent:"";	margin:0cm;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}@page Section1	{size:595.3pt 841.9pt;	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;	mso-header-margin:35.4pt;	mso-footer-margin:35.4pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;    &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://farm3.static.flickr.com/2470/3836530341_d91121ba2b.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://farm3.static.flickr.com/2470/3836530341_d91121ba2b.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CBOLSIS%7E2%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-parent:"";	margin:0cm;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}@page Section1	{size:595.3pt 841.9pt;	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;	mso-header-margin:35.4pt;	mso-footer-margin:35.4pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;    &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A brisa da manhã e a temperatura amena do início dela são logo sentidas por este homem que de costas fecha a porta. Como girassóis no jardim as antenas de TV olham em nossa direção e vêem o começo do salto diário do Sol sobre nossas cabeças. Sentado está o senhor de camisa azul, as mãos enrugadas e a calça gasta em contato com o parapeito. O prédio é mediano e sem luxo, é como um bolo de ovos: comum e sem cobertura. Dividindo o espaço com as antenas o homem acompanha quase todos os dias a cidade nascer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Escurecido pela sombra de um prédio em frente, um motociclista segue pela avenida. Para onde vai há essa hora? O relógio dá as horas e não tem tempo para um descanso, imagine os homens que nem as horas têm. Aquele só tem uma caixa na garupa, não há quem pergunte. O velho sentado apenas escuta o desaparecer do rastro sonoro. Já se fora também grande parte das rosas ressequidas com o que “ganharam” naquela noite, só algumas retardatárias ainda esperam o ônibus via periferia do outro lado da rua. Na calçada do lado de cá um pedestre vai atravessar a avenida. Não é o vigia, está muito magro. É o padeiro, o velho agora o vê perfeitamente. Vai à parada, o corpo mantém certa distância, mas olhos não perdem de vista a desgastadas rosas. As figuras em baixo do prédio em frente se movem porque já vem o ônibus que as levará. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O veículo se vai, e o sol já se levanta um pouco mais alto. Ele coloriu o horizonte com muitas cores entre o cinza, o azul e o amarelo que não sei os nomes. É hora de o velho descer e das pessoas se levantarem. As mulheres primeiro; manda o ditado e os homens seguem. Depois sairão à rua elas, seus filhos e maridos para fazer seus dias. Talvez eles digam: que velho doido esse que amanhece na laje, não faz nada o dia todo e mal fala. O velho também pensa nessas pessoas e em tudo quanto fazem. Fazem, sonham, querem, vão, perdem, esquecem.&amp;nbsp; Esquecem ou não querem lembrar que um dia ficarão como ele: sentados, acompanhado passivos o correr do Sol para um novo dia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;João Gilberto Saraiva&lt;b&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;(Foto: Mañana, Gustavo Gabriel) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3353266725820194950-1057130566557932132?l=palavrasinsoluveis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/1057130566557932132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3353266725820194950&amp;postID=1057130566557932132' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/1057130566557932132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/1057130566557932132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/2009/09/alvorada.html' title='Alvorada'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://farm3.static.flickr.com/2470/3836530341_d91121ba2b_t.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950.post-7186347630368244210</id><published>2009-07-30T12:24:00.003-03:00</published><updated>2010-08-12T14:36:43.062-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amantes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='espera'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='água'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mar'/><title type='text'>Olhos de mar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/SnG9agvoW5I/AAAAAAAAAJ4/gj2ii3fm1KM/s1600-h/mar.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" height="240" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364276894338931602" src="http://2.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/SnG9agvoW5I/AAAAAAAAAJ4/gj2ii3fm1KM/s320/mar.jpg" style="float: left; height: 300px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0pt; margin-right: 10px; margin-top: 0pt; width: 400px;" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O sinal regula o movimento de carros invisíveis. Sem olhar nem para o sinal nem para os lados ela atravessa a avenida vazia. O sol naquele horário deveria castigar as calçadas e pedestres, mas as poças denunciam nuvens nubladas. Calça jeans e blusa de lojas de departamentos enquadram nossa figura na paisagem urbana. Lá vem pela rua de pequenas lojas com grades mal levantadas, são pálpebras de quem acaba de acordar da sesta do almoço. Enquanto anda apressada reflete sobre a ligação que recebera a pouco e procura não achar o maço para garantir que o deixou em casa. Prestando atenção a fisionomia, não esbanja um sorriso largo mas pelo menos não parece estar triste, a face denota impaciência e figura algum medo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Os tênis azuis molham os degraus enquanto as pernas sobem a escada do pequeno prédio. Três andares, dois quartos e uma sala-cozinha cada. Em frente à porta 202 param os tênis gastos da jovem. A mão já é de casa não toca campainha quebrada, bate duas vezes rápido na porta. Uma pessoa de dentro reconhece a visita esperada e destrava os cadeados. Os olhares se cruzam a primeira vez naquele dia nublado de um ano par e de vidas impares. Ela acha o que já esperava, os olhos de cor de café com leite. Olhos velhos de marujo, vermelhos e apertados, que por vezes encontram o brilho de uma criança nova. Globo ocular que ela sabe ser capaz de vestir ou despi-la quando o quiser, porque já sabem da força de seu feitiço.&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;****&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O jornal anunciou e as pessoas que passaram o dia na praia comprovaram que aquele era um domingo de sol. Sábio é o sol, que todo dia antes do trabalho toma um banho de mar. Para a maioria dos homens isso não é possível por isso o banho de mar é um prazer fora da rotina. Lá está ela sobre a tanga e sob o coqueiro pensando nas gotas d’água a escorrer com ajuda do vento da pele queimada dele. O foco vai melhorando com a aproximação, ele dá três pulinhos e senta do lado esquerdo dela. Toda vez que deságuam no oceano, seus olhos recuperam um brilho difuso. Sinto cheiro de cigarro, ele diz. Ninguém é perfeito, ela responde cortante e emenda mudando de assunto: Quem vamos chamar pra sair hoje? Baixinho, quase a tocar o ouvido ele imita a voz dela: ninguém... é perfeito não?  Os rostos colados então esboçam pequenos sorrisos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E se começamos num sinal agora chegamos em outro. Aquela resposta afiada passou despercebida como uma tosse. Essa só ganhará importância na memória depois de sabermos que tal fulano morreu de tuberculose. Pensando nisso estava ele até que alguém bateu duas vezes na porta. Através do olho mágico da porta reconheceu quem era a visita. Abriu e se deparou com olhos que quase nada mudaram nesse tempo. Uma ansiedade se move dentro dele. O que tem de especial naqueles olhos castanhos dela? Ele não sabe. O olhar aprendeu com o cinema, não explica, seduz.   &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;João Gilberto Saraiva.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;(Foto: Gustavo Gabriel)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3353266725820194950-7186347630368244210?l=palavrasinsoluveis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/7186347630368244210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3353266725820194950&amp;postID=7186347630368244210' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/7186347630368244210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/7186347630368244210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/2009/07/olhos-de-mar.html' title='Olhos de mar'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/SnG9agvoW5I/AAAAAAAAAJ4/gj2ii3fm1KM/s72-c/mar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950.post-3075444906971635175</id><published>2009-02-23T13:34:00.001-03:00</published><updated>2010-08-12T14:19:38.125-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='notívagos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amantes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='espera'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ladrões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='deus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='janela'/><title type='text'>Esperando na janela</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/SaLQfxShv1I/AAAAAAAAAGo/oByNBVNLeB8/s1600-h/janela2.jpg" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306032555221434194" src="http://1.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/SaLQfxShv1I/AAAAAAAAAGo/oByNBVNLeB8/s400/janela2.jpg" style="float: left; height: 400px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; margin-right: 10px; margin-top: 0px; width: 293px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A noite pertence aos amantes e aos ladrões, nós, os notívagos apenas a tomamos emprestado. Digo assim porque roubamos dos gatunos, então temos 100 anos de perdão. E que Deus nos perdoa, pois se furtamos dos amantes é por causa de uma semente ressequida de um amor: vivo, morto ou que sequer nascera. Trago a garrafa, aqui cabem dois sentidos, e penso nesse Deus que não pode ter uma mulher. Coitado, onisciênciente não pode assistir um amor nascer num canto despercebido da vida porque tudo já sabe, mesmo antes de o sê-lo. Não degustará a inquietação da espera de uma amada que a qualquer momento pode ligar, teclar, ou cruzar aquela esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;João Gilberto &amp;nbsp;Saraiva.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3353266725820194950-3075444906971635175?l=palavrasinsoluveis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/3075444906971635175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3353266725820194950&amp;postID=3075444906971635175' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/3075444906971635175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/3075444906971635175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/2009/02/esperando-na-ou-janela.html' title='Esperando na janela'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/SaLQfxShv1I/AAAAAAAAAGo/oByNBVNLeB8/s72-c/janela2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950.post-2252948720752370286</id><published>2009-02-10T23:23:00.001-03:00</published><updated>2010-08-12T14:18:16.085-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vício'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='café'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte'/><title type='text'>Café</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/SZI5ezLaUbI/AAAAAAAAAGU/rWY9Hf74rUA/s1600-h/Caf%C3%A9+2+b.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301362912665424306" src="http://2.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/SZI5ezLaUbI/AAAAAAAAAGU/rWY9Hf74rUA/s400/Caf%C3%A9+2+b.jpg" style="cursor: pointer; height: 269px; width: 358px;" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Era irremediavelmente viciado em café, aos vinte anos já sabia que tomaria o líquido negro até o último dia de sua vida. E se por acaso não houver café no céu, preferia descer ao purgatório ou ao inferno. Porque com certeza a morte não o separaria do prazer de uma xícara com café fumegante. E que paraíso “meia-tigela” seria esse se acaso não houvesse café por lá? O sabor e o olor característico dessa bebida são sentidos enquanto tomam ordem essas mal digitadas palavras. Só um cúmplice, quem compartilha de um mesmo vício, é quem compreende as palavras de seu prisioneiro.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;João Gilberto Saraiva.&lt;br /&gt;(Foto: Gustavo Grabriel)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3353266725820194950-2252948720752370286?l=palavrasinsoluveis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/2252948720752370286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3353266725820194950&amp;postID=2252948720752370286' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/2252948720752370286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/2252948720752370286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/2009/02/cafe.html' title='Café'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/SZI5ezLaUbI/AAAAAAAAAGU/rWY9Hf74rUA/s72-c/Caf%C3%A9+2+b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950.post-1670504759383427029</id><published>2008-12-19T09:28:00.002-03:00</published><updated>2010-08-12T14:17:18.387-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='moinho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pão'/><title type='text'>Pão</title><content type='html'>&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281477302023123586" src="http://1.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/SUuTn6xgcoI/AAAAAAAAAFE/OduoTFVKqO4/s320/Pao+frances.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: right; height: 194px; margin: 0 0 10px 10px; width: 320px;" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sobe a gema gigante no horizonte retangular da janela, é o começo do dia para quem comerá os pães que estão nas formas ao lado. Para José Pedro o dia não é demarcado pelo Sol, ele acordou as 3 da madrugada. Os olhos acostumados percorrem os instrumentos e a paisagem que já conhece intimamente: forno, cigarreira da esquina, mesa, farinha, primeiro andar &lt;st1:personname productid="em frente. O" st="on"&gt;em frente. O&lt;/st1:personname&gt; homem de branco e toca sentado no canto da sala de azulejos aparenta ter 30 anos, mas tem na verdade 35. Pensativo espera a hora de se arrumar sem prestar atenção no rádio, não faz mal perder a propaganda. Os músicos pesam que o mundo é música, os escritores livros, os publicitários uma propaganda, mas este homem é padeiro e não pensa que o mundo é um pão. Ali sentado ele reflete o resultado da loteria, do futebol, do relacionamento e sabe-se lá mais o quê. Sou eu quem lhe deu vida que lhe ponho palavras na boca, ou melhor, na cabeça. Palavras para nós que comemos o pão, com ou sem manteiga, amassado ou não. Preste atenção, o mundo é moinho que todo dia nos mói e tritura. Para depois, sem ver nisso contradição, dar-nos o pão nosso de cada manhã.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;João Gilberto Saraiva.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3353266725820194950-1670504759383427029?l=palavrasinsoluveis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/1670504759383427029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3353266725820194950&amp;postID=1670504759383427029' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/1670504759383427029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/1670504759383427029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/2008/12/po.html' title='Pão'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/SUuTn6xgcoI/AAAAAAAAAFE/OduoTFVKqO4/s72-c/Pao+frances.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950.post-3248101539804759897</id><published>2008-11-30T07:41:00.001-03:00</published><updated>2010-08-12T14:16:44.159-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='texto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='menina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pedra'/><title type='text'>Eu, a pedra e a menina</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;  &lt;/span&gt;A menina caminha levemente pelo corredor a meia luz; o desequilíbrio entre &lt;st1:personname productid="a luz" st="on"&gt;a luz&lt;/st1:personname&gt; e o escuro forma uma penumbra que mal permite ler as palavras no interior da caverna. Palavras é o que ela imagina serem, pois entre os milhões de rabiscos nas paredes e teto, só alguns estão na sua língua, outros nem parecem letras. Ela segue seu passo pluma, temeroso, porém contínuo, seu medo e desejo de ver o fim caminham juntos e os três avançam pelo chão molhado. Poucos metros, uns 10 passos e não sei quantos palmos ela percebe o corredor dilatar, o nariz e os pelos sentem o frio. Num espaço maior e sem forma, porque o escuro delineia o nada, ela vê a parca luz que reflete uma grande pedra escura. No outro escuro sentimos os últimos passos, um, dois, três. Os braços da menina levantam pesadamente cortando a ausência de luz. De olhos fechados, duas vezes cega, ela toca a grande pedra negra e sente todo calor do mundo. Calor de todos os fornos, de toda chama, de toda lava derretida, mas suas mãos não queimam. O ser humano é mais quente que todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;João Gilberto Saraiva&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3353266725820194950-3248101539804759897?l=palavrasinsoluveis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/3248101539804759897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3353266725820194950&amp;postID=3248101539804759897' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/3248101539804759897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/3248101539804759897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/2008/11/eu-pedra-e-menina.html' title='Eu, a pedra e a menina'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3353266725820194950.post-1890640272411574261</id><published>2008-11-19T18:39:00.001-03:00</published><updated>2010-08-12T14:15:29.860-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='inaguração'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='baralho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='deus'/><title type='text'>Baralho</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/SSSHydwONPI/AAAAAAAAAEc/YT3imw2xvvY/s1600-h/7529cartas.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5270486764980417778" src="http://2.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/SSSHydwONPI/AAAAAAAAAEc/YT3imw2xvvY/s320/7529cartas.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 240px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;  &lt;/span&gt;Se eu fosse uma carta do baralho não queria ser um rico rei de ouros, sequer um imponente às de espadas daqueles prontos ao combate. Nem um valete vermelho de copas em busca de suas amadas. As damas de copas? As damas de ouros? Até as damas de graça. Também não teria a astúcia de um melé, aquela carta transfigurada que por qualquer outra se quer. De todas cartas, meu Deus, das cartas todas queria eu ser o jogador. Que é quem tem quantos baralhados quiser, quando e na forma que quer. Me desculpa a ousadia, e por favor não me descarte.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt;               &lt;/span&gt;João Gilberto Saraiva&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3353266725820194950-1890640272411574261?l=palavrasinsoluveis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/feeds/1890640272411574261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3353266725820194950&amp;postID=1890640272411574261' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/1890640272411574261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3353266725820194950/posts/default/1890640272411574261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasinsoluveis.blogspot.com/2008/11/baralho.html' title='Baralho'/><author><name>João Gilberto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12341835459689753722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-rzIxMUppfVk/TkatCrDN6sI/AAAAAAAAAa4/PyokKSjVfQ0/s220/DSC03183%2Bb.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0sOVraagFn4/SSSHydwONPI/AAAAAAAAAEc/YT3imw2xvvY/s72-c/7529cartas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry></feed>
